terça-feira, setembro 30, 2003

Reality log: eu sou somática. Cada vez que vejo um olhar de sincero desprezo/ódio/rancor à minha pessoa, eu sinto vontade de vomitar. Mesmo. Não brinco. Sinto isso agora. Um enjôo, uma fraqueza... como pode-se sentir isso por alguém? Como eu posso, como você pode, como ela, nós, eles podem? Como a incompreensão, por que a inveja? O que é que passa pela cabeça da gente, o que fundamenta esse veneno que nunca traz felicidade?
Faturas e mais faturas do Credikarma. Se eu saí no jornal e aconteceu isso, imagina se eu ganhar um Jabuti? Atentado? Assassinato? Não aguardem pelos próximos capítulos.

Reload: sim, eu sou mais exagerada que um folhetim do século XIX.

segunda-feira, setembro 29, 2003

Dreamlog confuso, com professor-orientador, trabalhos não entregues, professores revistos e alguns desconhecidos, distâncias pequenas mas subitamente intransponíveis, pessoas com sorrisos extintos, chuva, lama. Eu lembro mais de ter conseguido carona com um professor japonês e de um amigo ter sugerido que havia um atalho pelo meio do mato. Aí ele parou embaixo de uma árvore e me mostrou dois objetos parecidos com cantis. Só que eu peguei um dos "cantis" e espremi um ponto nele, como se fosse uma espinha, e de dentro do pequeno buraco, uma pequena larva saiu e eu larguei o cantil. Não sei como depois, fui parar no escritório do meu orientador, que trancou um dos meus trabalhos numa de suas gavetas e saiu. Meu pai, que estava lá comigo, pegou um molho de chaves e ia destrancando as gavetas, quando eu o repreendi: "Não pai, não faz isso. Ele é muito certinho, e se souber, me mata". O sonho foi tão confuso, que nem sei quando acordei. Será que estou acordada? Acho que sim. Nos meus sonhos nunca se ouviria "Hotel California" tocando no rádio, ugh...

No más, como num folhetim, minha vida e seus arredores guardaram emoções fortes, muito entretenimento, revelações bombásticas, beijos arrebatadores e um pouco de suavidade também, porque não custa nada.

sexta-feira, setembro 26, 2003

Image log:


Perua-mod: um dos meus delírios surreais.


O provedor de risos da minha madrugada.

quinta-feira, setembro 25, 2003

Achei as coisas perdidas que procurava (não, infelizmente eu não fui metafórica). Fotos, o cd dos Clã que a Angela gravara para mim, e mais um punhado de tantas outras lembranças, como o Messias de Haendel. Eu já cantei o Aleluia, ficou terrível mas é fato...rs.
Estou cheia de Fernando Pessoa na alma. Dormi bem, mas não acordei tanto assim. No Dreamlog, antecipação do dia de hoje, fotos encontradas perdidas em uma mochila, mas eram fotos de uma ex-namorada do meu irmão. Depois, encontrei 5 feijões pretos, cozidos e fui tirar satisfações com o restaurante que os mandara. Mas entrei em vários restaurantes errados, e decidi correr para voltar para casa. Primeiro, eu corria muito rápido e desviava por ruas, acreditando poder ver um amor já esquecido. Mas depois meus pés ficavam pesados e eu me sentia sem sair do lugar. No entanto, não fugia de nada, nem para nada. Eu só corria, como Forrest Gump. Acordei na impossibilidade de me movimentar.
E lá fora as nuvens pesam no céu e cai delas uma chuva abundante e fresca que sempre atrelo aos inícios de primavera.
Madrugada. Faces coradas, olhos brilhantes, abandono... sinto-me uma escultura de Camille Claudel. Sou uma massa inerte e feliz... e mesmo assim vibrante.
(inspirada gentilmente por ela)

terça-feira, setembro 23, 2003

Primavera primeira, Fernando Pessoa desassossegante, nesgas de sol batendo aqui sem revelar fundos azuis no céu.
Dreamlog: eu dormindo em outro quarto do apartamento, aqui mesmo, mas vendo através de frestas da persiana fechada, a sombra e o barulho de um trem que passava e não me deixava dormir. Quando a última composição passou, eu corri à janela e vi que aquele trem ia para São Vicente (eles só podem vir de ou ir para lá, visto que Santos costumava ser o terminal do trem suburbano, extinto), e eu fiquei contente porque gosto de pegar trens. Desviei-me da idéia, porém, vendo na TV que haveria um festival de música italiana (e, como conheço bem pouco do pop italiano, posso dizer que não gosto de nada que vem de lá). Soube, não sei se pela TV ou se por alguém que me disse, que minha mãe iria para Brasília (bem que podia ser eu! Tenho saudade dos Dias e vontade de conhecer os Machado e os Seslaf...rs) e fiquei novamente contente de poder ficar sozinha. Mas, em outro fragmento, eu estava na casa da minha há-muito-falecida tia-avó, deitada nua no sofá com alguém interessante. Mas daí ouvi um barulho na fechadura. Pulei do sofá, disse sussurrando ao meu par: "vai pro quarto!", e fui logo atrás. No que estamos entrando no quarto, nos salvando da porta que abria, eu olhei para trás e, na penumbra, no quarto que costumava ser da minha tia, estava ninguém menos que Delfim Neto, de bermuda, camiseta regata branca e suspensórios, lançando um olhar esbugalhado para mim.

E, bem, vejam, nem só de Fiona Apple eu tiro os (meus) exemplos para minhas fossas emocionais. Essa é do Pato Fu, e leio-a com um gosto de "não diga que não avisei":
(...)Porque sei calcular o valor de um amor que
desponta
Eu meço pelo tamanho da dor
Que no final eu sei que vai sobrar

segunda-feira, setembro 22, 2003

Sinto dor. Dor passa. Tudo se perde, e ao invés de fluir, se compacta, se intensifica. Mas passa. Vai sair salgadamente dos meus olhos e manchar meu travesseiro e os sorrisos vão recuperar sua espontaneidade. Não dou nem uma semana.
RRR, um sucesso! Bolo de chocolate divino, Retrô abarrotado, amigos revistos, tudo muito, muito bom.
Nem coisas ruins são capazes de toldar alegrias sinceras.

sexta-feira, setembro 19, 2003

Hum. Dia produtivo, entrega de currículos, cafezinho simpático no trabalho da minha mocinha, conversa jogada fora com o jornaleiro que é apaixonado pela minha mãe (e, como ando sem grana pra tudo, ele me EMPRESTOU a Exame e a Superinteressante desse mês. :-D), e bálsamo involuntário para os olhos ao contemplar, always walking, os prédios lindos, antigos e restaurados do centro velho de Santos, cheios de homens charmosamente engravatados, mulheres que transcendiam a obviedade dos tailleurs e, sendo hora do almoço, todos sentados nas mesinhas das calçadas dos tantos restaurantes esteticamente cool espalhados naqueles quarteirões. Quem não conhece, precisa conhecer. Os arredores da XV de Novembro me lembram a Baixa lisboeta como quase a própria. E ser prolixa é isso, é escrever uma frase com 12 vírgulas e um só ponto final. Mariela que me entenda!
E eu ganhei uma bisnaga da máscara de pepino da Avon. Que delícia. Passei na cara, fiquei lendo a Super, e 20 min. depois eu me sentia uma múmia de silicone. Arranquei meu rosto de plástico, e lá estava minha pele limpinha e revitalizada.
Eu odeio você, hacker! Mas também minha vida tem coisas legais.

quinta-feira, setembro 18, 2003

Stereolab, Miss Modular, lembrei da desaparecida (só para mim) Ginger Lipstick, conhecida antes de eu ter a idéia de fazer um blog e talvez dispersa justamente por causa de seus efeitos. Desde aquela época eu mudei, e se antes eu vivia apaixonada, como ela mesma dizia, hoje faço tudo apaixonadamente, menos me apaixonar.
Estou escrevendo menos de uma hora depois de postar - ainda que eu só envie este no dia seguinte -, porque sinto uma inquietação por dentro, uma coisa assim que é ânsia e medo à la fois, que é desejo e apatia, e isso na verdade deve ser vontade de que chegue o amanhã, e o depois e o depois.
Eu vou cantar agora e quando postar isso eu terei cantado, eu terei respirado, eu terei visto os colegas que há duas semanas não vejo e minha ansiedade se terá dissipado.
Uma das músicas da Madonna de que mais gosto é "Sky fits heaven", e é com ela que termino o post.

Nostalgic Log: Ao concluir, agora, que estou very naughty, lembrei de um fato ocorrido em 1996, ao lado do english professor and electronic music amateur Marcelo Rayel. Nessa época, ele ela freqüentador assíduo da cozinha da minha casa, costumava bicar o whisky do meu irmão e todo mundo achava que a gente tinha um caso. Enfim, numa dessas horas ermas que faziam a patota crer que nós realmente tínhamos um caso, conversávamos animadamente tendo como fundo a programação de fim-de-noite da Band. Daí começou a passar um daqueles comerciais de tele sexo. O de sempre: mulheres de procedência duvidosa esfregando a púbis perto da câmera e entre si, vozes vulgarmente sensuais sussurrando baixarias, mas veio o inesquecível: duas gurias se beijavam em uma banheira, enquanto a narradora dizia (voz de Regininha Poltergeist, maestro): "Você não sabe o quanto nósh somosh perverrrrsa"! Assim, sem plural.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Dreamlog Confuso... beijos intensos e mordidos, e sexo feito com a boca em um rapaz de barba cerrada e pele morena que eu já conhecera bem. Ao ser surpreendida por minha mãe em tal situação, nua e desesperadamente procurando um preservativo, ela me acusou de estar traindo S. E eu me senti culpada como me sentiria se eu não estivesse sonhando.
É o U2 que está cantando "Everlasting love" no rádio? I don't really know...
Hoje não há teto para os aviões decolarem, estou com uma profunda preguiça de cantar, o ar não está mais tão melancolicamente puro como ontem e eu não sei de mais nada. Tomei um café e derramei um pouco na minha camisa branca, falei com a moça oniricamente traída e ela disse ter tido uma recaída no seu estado gripal.
Quero me enamorar de Hemingway de novo. Mas faltam-me livros dele aqui. Por outro lado, quero muito o novo livro da coleção "O Escritor e a Cidade", que acho que é do Ruy Castro ou algo assim, e da qual faz parte "O Flâneur", do Edmund White.
Dispersa, como sempre, dispersa.
Puzzle in my night. Lenine no rádio. Hoje, um dia em que o ar me pareceu tão puro, carreguei-me de impotências impostas por fatores externos. Um hacker, uma mãe (não minha) que também afunda na impotência de sua ignorância e magoa meu amigo mais querido; um tio meu tendo literalmente surtos e sendo internado... tudo dói e no entanto o desespero é só relativo, pois novamente, o ar parece limpo e puro e cheio de leveza. Estranhas essas contradições.

terça-feira, setembro 16, 2003

Pelo visto, o que tive foi um arroubo de revolta, um desespero que não é bem passageiro, mas que vem à tona em horas indefinidas. Eu tenho de agradecer aos comentários (ocultados em parte pelo enetation maluco, e recuperados mediante F5). Hoje estou desesperada de novo, não por nenhuma crise, mas por um hacker ter invadido este ser inanimado pelo qual vos falo e apagado simplesmente 6 pastas do meu computador, justamente aquelas em que guardo os meus escritos que não publico aqui e que, com um pouco de polimento, pretendo publicar um dia em papel e capa. A sorte é que parte deles estão em outra pasta que não foi apagada. Ainda não sei se foi caso de hacker, mas é o que parece. Como fazer numa hora dessas? Chamar a polícia? Ai, Neo, me ajude! rs... mas estou entristecida pelo fato.
Hoje eu li o post interessantíssimo da Dani Belmiro. Blogs abandonados. Quando os leitores se apegam, triste é ver aquela vida interrompida, não interrompida no seu viver, mas no que tange à gente, voyeurs apaixonados e assíduos.
Chuva, frio, eu tentando resolver esse pepino, olhando para duas revistinhas que têm o Hemingway na capa. Cópias. Eu que fiz. Ainda bem que estas eu tive o cuidado de imprimir. Ai que dor...
Dreamlog? Nem lembro. Mas perturbadores quando se misturam ao dia. Mas, tal como um sonho, aquela singular mulher que é de verdade e é um misto de Sherilyn Fenn com Poison Ivy (a dos Cramps, parceira de Lux Interior) e parece saída de um filme do David Lynch, ou do John Waters realmente me fascina.

segunda-feira, setembro 15, 2003

Estranho é tudo. Ao escrever aqui, não tenho certeza de mais nada nesse mundo. Vou jogando palavras a esmo como pedrinhas num lago que estende ondas eternas pela água... escrevo, mas será que é eterno? Minha incerteza sobre tudo parece sê-lo.
Tudo aqui anda tão branco, tão limpo, mas é vazio. É vácuo. É um espaço a ser preenchido com qualquer construção que só guarda a solidez de metáforas duras, rijas, concretas em imagem mas frágeis em sua sustentação. E é isso: só vou seguindo um impulso que em horas como essa julgo sem sentido. Vazio, como meu estômago em certas horas. Vazio, como o que sobra no ar depois dos seus guinchos lamuriosos e revoltados.
A minha vontade é de nada, mas não consigo atingir essa sensação de perfeição. Sempre sobra um zumbido qualquer.

domingo, setembro 14, 2003

Dreamlog lindo, já que a realidade não anda assim tão colorida: Meu pai numa grande casa só dele, mas com a consciência de uma morte próxima. Eu estava perto dele, sabia que a qualquer momento ele morreria, e ele, apesar de preocupado, insistia em fazer o almoço. Então passei para outra cena em que ele já era morto e eu o tinha no coração. Eu estava perto de um estádio de futebol onde estava acontecendo um show, mas eu não sabia se era noite ou dia. De repente, tomando um pingado numa padaria, eis que encontro Madeleine, uma senhora de seus 70 anos, francesa, de quem já fui intérprete. Eu a vi, de cabelos muito curtos e muito brancos, mas com a pele rejuvenescida, linda... e eu a abracei com um misto de saudade dela e do meu pai. Eu comentei da sua juventude, mas ela não respondeu. Ela, mesmo saída da padaria, queria tomar um café e comer algo, e fomos então entrando por vielas, agora iluminadas pelo dia, com casas em cujas sacadas e janelas havia flores e cores e fomos parar em um bar com estilo colonial, mas em que não havia pãezinhos de queijo. Fomos parar num carrinho de pastel. E eu acordei.
Ligação dela, sempre uma amiga de quem morro de saudades.
E, em Portugal, Mafra, minha cidade do coração, arde em chamas e pessoas perdem casas. Também não tardou um telefonema entristecido daquelas bandas.

sábado, setembro 13, 2003

Dreamlog: muita coisa. Desde eu e S. andando quilômetros até uma igreja imponente numa periferia qualquer, e encontrando J. pelo caminho, segurando no meu braço e me chamando de amiiiga, até eu sonhando que meu irmão me conta, de novo com olhar cúmplice, que gosta de meninos também. Segunda vez que sonho com isso. Curioso, não porque não corresponda à realidade dos fatos, mas pela assiduidade da ocorrência. Sonhei também que eu sozinha andava muito à procura de alguém, e ia até o começo de uma longa rua conhecida, mas que eu desconhecia. Ela, no sonho, fazia uma curva em frente a um morro e só então começava. Eu estivera andando por ela em direção ao começo e quando chegava lá e encontrava a curva, ela começava de novo, numa noite em que a chuva lavara os parelelepípedos e tudo estava úmido e sombrio. Então só havia casas antigas e botecos abertos com famílias felizes festejando no meio do ermo. Apesar de sentir medo e ficar alerta, gosto desses meus sonhos com imagens de bairros operários e portuários.
Quando me surgem certas oportunidades, sempre me pergunto até aonde vai minha capacidade de escrever, tanto em quantidade quanto em qualidade. Espero que ninguém imagine que realizar um parto literário é muito menos difícil que viver um parto literal.
Fim de post: eu comi Nescau em barra e sou a pessoa mais feliz do mundo!

sexta-feira, setembro 12, 2003

Incrível como certos links conseguem tirar o sossego das nossas vidas. Mais sutileza de agora em diante. Ainda mais... :-(
Já sentindo os efeitos benéficos do Tylenol que apazigua a dor da minha cabeça, me entrego a escrever, ouvindo uma de minhas duas bandas estrangeiras preferidas. Essa, Silence 4, conhecida quando de minha minha viagem a Portugal, em 1998. A outra, francesa e chiquérrima, Noir Désir, me proporcionou um grande baque neste ano, quando soube que seu vocalista literalmente matou sua esposa de porradas. Bateu-lhe tanto que esta foi para o hospital e ficou lutando contra a morte até que sucumbiu. A esposa em questão era uma grande atriz francesa (apenas de consumo europeu), Marie Trintignant, que não sei ao certo, mas talvez fosse filha de Jean Trintignant (de Um Homem, Uma Mulher e A Fraternidade é Vermelha). Na verdade, eu não deixei de gostar da banda por causa do seu vocalista filho da puta, mas imaginem como é complexa a natureza humana. Um cara que faz músicas bárbaras também tem a capacidade de matar alguém. Putz.
Você liberou? Liberou gostoso? Eu liberei. Lá no SESC, em cima de um banquinho de concreto já do lado de fora, depois do workshop de roteiro pra cinema, ministrado pelo José Roberto Torero (o máximo, aliás), autor de "Terra Papagali", "O Chalaça" e um monte de roteiros para TV e Cinema, além de ter dirigido curtas. O livro. É, o atentado poético de 11 de agosto. Liberei, mas não encontrei nenhum. Alguém encontrou o meu, certamente, e espero que faça bom proveito e passe pra frente. Como nas brincadeiras de infância: "Passa e não devolve"!
Hoje também vou me acabar de dormir. Rezem por mim, desejem-me sorte, eu tenho chances!!

quarta-feira, setembro 10, 2003

Sim, um pouco sumida, eu sei. Sono, simplesmente sono. Sono agora, inclusive. Corpo dolorido de muitas horas intensamente agarrada a Morfeu. Mas só lembro de duas coisas: de carregar uma bolsa de viagem vermelha, de couro e verniz, e de conversar com um cara vestido de lorde inglês mas calçando havaianas, num escritório que era como uma extensão da minha casa.
Dias agitados pelo festival santista de curtas-metragens. Pelo menos os da mostra internacional, um melhor que o outro. E quero fazer a oficina de roteiro pra cinema do José Roberto Torero, no Sesc.
Fase de crise superada? Não sei. Só sei que tenho me divertido como no comecinho. Bom, quase, já que não temos tanto tempo assim. Nada em que não se possa buscar cheiros e toques já familiares e bem vindos, que guardam o mesmo encanto, pois não se perderam. Ainda bem que eu me enganei com meu pessimismo.
Hoje ainda, me esbaldar de ver Jacques Tati às 19h e mais curtas franceses às 21h. Ah sim, finzinho de inverno gostoso como uma primavera. E tudo indica que o comecinho de primavera será gostoso como o inverno. Ando flanando com minha bermudinha marrom e minha camisa branca acinturada, coroada (ao contrário) com chinelinhos... esses dias nublados e frescos me trazem o verão normando de 1998.

Excerto solitário perdido no HD:

Ocorre-me de escrever quando o tempo fecha, a chuva cai e tudo quando é bicho está em sua toca. É em horas assim que eu me ponho fora da toca, em que me encontro desprotegida pois o que está dentro é a tudo que me resumo.
Os dedos estão tão gelados que fariam-me mal se tentasse tirar-me algum prazer através deles; de minuto em minuto correm-me arrepios pelo corpo e não são de desejo. Entretanto, não estou sozinha. Se aqui no meu quarto não há presenças, tenho alguém ao menos em quem pensar e é de lembranças recentes que aqueço o oco da minha interioridade que se escapou da toca.
Toda a dor de que reclamei só veio de uma leve escoriação. Faz tempo não me firo, mas tampouco me rasgo de paixões perturbadoras.

terça-feira, setembro 09, 2003


Selo by Moça

No dia 11 de setembro, o dia em que a estupidez gerou mais estupidez...

"Libere um LIVRO!
Na manhã de 11 setembro 2003 não se esqueça de sair munido de um livro que seja importante para você. Um livro que tenha mudado sua maneira de ver o mundo. Escreva uma dedicatória... e o libere!!
Libere-o na via pública, sobre um banco, no metrô, no ônibus, em um café... a mercê de um leitor desconhecido.
E você? Adotará um livro que esteja em seu caminho?
O dia 11 setembro não será mais um aniversario fúnebre pois iremos transformar essa data. Juntos, transformaremos esta data em um ato de criatividade e generosidade.
A mobilização será geral em Bruxelas, Paris, Florença e São Francisco.
Vamos fazer isso também em nossas cidades aqui no Brasil.
Nessas cidades, um grupo de escritores, de toda confissão literária, liberará seus livros, em lugar publico.
Engaje-se nessa idéia também!
E faça circular essa informação!"

segunda-feira, setembro 08, 2003

Dreamlog deveras interessante: sonhei com uma reforma em uma espécie de república onde eu morava. A minha república tinha um menino e uma menina e um quê das "cidades invisíveis" do Italo Calvino: era suspensa por cordas e aidaimes de madeira, e havia muitos lençóis e galões de tinta branca, mas apesar do ar de precariedade, tudo tinha um charme e um encanto bem peculiares. Eu lá de cima no aidaime, gritava coisas para meus colegas e ia para baixo e levava um livro, ou mesmo algo muito relevante que eu tinha a dizer e agora não lembro. Depois, sonhei que estava em Porto Alegre e observava uma mulher que escrevia num notebook, sentada à sacada de seu apartamento. Eu, mesmo sem a ter visto antes, a reconheci como sendo uma amiga ou conhecida minha, e fui falar com ela. Ela mantinha uma distância prudente de mim (que não queria nada com ela, diga-se de passagem), e conversávamos sobre amenidades, como se não nos conhecêssemos antes, e estivéssemos justamente lá para isso. Nesse caso, não havia charme nem descontração, mas somente uma conversa artificial e forçada, permeada por um ar de afetação que me deixava desconfortável. Mas descobri que ela cantava e gravou um cd, o que me deixou feliz por termos algo a respeito do que conversar.
Hoje ela me ligou para dizer o quanto foi bom. O quanto foi bom. Eu até agora não sei dizer se foi bom ou ruim.
Enfim, não tendo mais nada a fazer hoje (que é feriado aqui), vou fazer as pazes com a bicicleta... à plus...

Sou ou não sou uma puta?

A foto é adorável mas não descreve direito. Foi bom. E foi ruim. Estranho, né?

domingo, setembro 07, 2003

Post atrasado e perdido no Word Pad:
Dreamlog: sonhei que discutia filosofia em uma praia, que enquanto isso me enfiava em vários labirintos literais, mais na vertical que na horizontal. Me vi pendurada em vários deles... tudo foi meio confuso, mas me lembro de estar na mesma praia e saber que um dos postos de salvamento dos bombeiros era um quarto, e que meu irmão estava trancado há três dias lá com dois caras absolutamente másculos. Trancado ele não estava, só não saía de lá voluntariamente... daí uma hora a indiscreta aqui abriu a porta e o encontrou de cuecas com um dos rapazes, passando a mão nas costas dele, em atitude de extrema descontração... e ele me deu uma risadinha cúmplice...
E já estou naqueles meus dias adoráveis que foram tão graciosamente precedidos pela TPM.
Batalha perdida: a comida da festa de neném estava absolutamente divina...rs. Mas, nada de doces, curiosamente, e a mãe do neném contou à irmã dela que eu disse que o filho dela (de 17 anos, alto, ombros largos e cabelos em desalinho) era absolutamente corruptível. Boicote... só o neném, que fez um aninho, me respeita e me deferencia...
Fofoca inútil da tarde: Hoje de manhã, no meu abissal ataque de desespero, ouvi duas brigas de vizinhos (sete da manhã, aqui nas redondezas começamos cedo): uma da casa ao lado, onde mora um velho que é cunhado de um punhado (rima estranha) de velhas, e que dizia, aos berros, que não ia comer aquela comida nojenta que ela (ela quem, eu não sei) fazia. A outra briga foi da vizinha de baixo, cuja filha mora com ela (eu não quero terminar assim, viu, Deus!?), não bate nada bem e depende de doses diárias de lítio pra não matar a mãe a facadas. Enfim, dessa, eu só apreendi frases algo irônicas da filha, e a mãe, perto da cozinha, que bradava solenemente: "Glória a Ti, Senhor!!". Aí eu parei de chorar e ri.
Ah sim, o post. Estava fuçando por aqui e (re)descobri o blog da Suzi Hong, que sim, estava até no Blogs of Note, mas que eu, desligada que sou, não tinha visto ainda. Também passei pela enésima vez por acaso, por este blog aqui, de uma menina simpática que faz jornalismo. Também me deparei com esse, muito por acaso mesmo, e adorei ter feito a descoberta sem que ninguém tivesse me avisado... :-)
Mas a coisa da qual me dispersei foi mesmo a tristeza que enfeia minhas pálpebras. Tempestade. Sonhei com uma. Sonhei com uma tempestade que me obrigou a fechar portas e janelas e lamentar que tivesse esquecido de tirar as roupas do varal, coisa de vento a 150km/h. Sonhei que tinha de me esconder da luz do sol, não por ser vampira mas por haver coisas, à luz do sol, que me perseguiam (isso sim dá pano pra manga). E eu, ali, com uma vontade de ir à praia... antes dos sonhos eu chorei como há muito não chorava, dando vazão à soluços e a insolubilidades, sem ponderar comportadamente que a gente aprende com os momentos difíceis. Não. Eu chorei calcada (a bem da verdade, calcada em nada, pois tudo o que me falta nessas horas é chão pra me calcar em cima) na minha sensação de impotência. Que dura... Tenho faturas e mais faturas do Credikarma a acertar...
O sol está lindo mas eu não enxergo.

sábado, setembro 06, 2003

Update in blank: porque ninguém precisa ficar ouvindo minhas lamúrias...
This freaking mouse is driving me nuts!!! Grrrrr! Pois é... aceitarei as remessas de Bras-Ilha...rs.
Hoje meu cérebro está uma casca de noz... sem capacidade para grandes processamentos, assim como meu computador, recheado de vácuo (e mesmo com Stephen Hawking dizendo que o universo está numa casca de noz, no meu cérebro esse universo é todo de anti-matéria, anti-tudo)... eu deveria estar feliz, visto que ontem matei tantas saudades quanto foi possível, desde o som daqueles beijos quanto seu toque, mas... não sei mais o que quero e o que não quero. Tensão pré e pós menstrual...rs. E durante, também...rs.

quinta-feira, setembro 04, 2003

Ouvindo, do U2: "Even better than the real thing". Se for para o que eu estou pensando agora, não há nada que se compare à coisa verdadeira...rs. Ouço U2, mas na verdade estou esperando dar midi pra começar o Vozes do Brasil, da fofa Patrícia Palumbo. Se essa música do U2 é do CD "Achtung Baby", então faz exatamente dez anos que eu o tenho. Caramba. Eles são velhos e, caramba, velha estou ficando eu. Ontem mesmo, estava na cabeleireira às 9h30 da manhã (vendo forçosamente, no programa da Olga Bongiovanni, uma dona montar um bolo em forma de uma bunda vestindo fio-dental, chamado "paixão nacional" - a minha não é. É a sua?), justamente pintando meus cabelos, nos quais têm despontado cada vez mais fios brancos. Vermelho. Mas nem tanto. Uma coisa discreta que só aparece direito no sol.
Mais tarde, festa de neném para ir. Vale a pena pelo neném, não vale a pena por toda a comida que me tentará...
Família é uma delícia. Só em um núcleo de duas pessoas, estas se sentem à vontade para usar de crueldade um com o outro, sem uma terceira pessoa que sirva de juiz. Cada vez que sou cruel, tenho vontade de sumir, quando cruel é o outro... tenho a mesma vontade. Quem me oferece um canto? Juro que faço faxina, cuido dos filhos (só não sou ama-de-leite, não abuse!) só por um prato de comida e uma hora de internet por dia! rs.

terça-feira, setembro 02, 2003

.O mês de setembro, mesmo que obviamente, me remete à lembrança de árvores copadas, de terra úmida, de passeios, de ar puro. Agrada-me também o nome -setembro- que sei vir de alguma língua, talvez o grego, mas nunca sei realmente de onde.
No Dreamlog, uma casa vazia e asséptica, um ensaio do meu antigo coral com meu baixo preferido. Lá estava uma garota linda de quem ele gosta, e quando eu a abracei (ela foi minha aluna), eu lhe perguntava por que diabos ela não o agarrava logo...rs.
Ouço o Clã, banda portuguesa que seria, digamos, uma faceta do Pato Fu, só que com muito mais bom gosto. Aliás, acho que perdi meu CD dos Clã (mais um!) no meio das coisas da minha mudança.
Eu fico dispersa quando não tenho mais o que fazer. Enterrei meu passeio de bicicleta numa soneca vespertina que trouxe, depois de uns 2 meses, aquele sintoma estranho de perturbação: a mente acordando antes do corpo e o deixando paralisado. Mas, analisando, percebi que isso pode ser apenas um sonho muito estranho. Ou, ao menos, acabei sonhando com isso algumas vezes, além das vezes que julgo realmente estar presa na cama.
Hoje ouvi coisas duras que me fizeram me perguntar se, por mais defeitos que a gente tenha, a coisa que é sempre mais grave (se encarada enquanto um defeito, coisa que não é) é o que as pessoas pensam que você faz entre 4 paredes. Ao menos cheguei a essa conclusão, levando em conta a forma como tudo foi dito.
E ontem o vi de novo e até trocamos mais do que 2 frases. Em compensação, esse alongamento ousado de conversa tornou perceptíveis os olhares frios e as faces sem expressão, minha inclusive, que têm aqueles que não só se tratam apenas por educação, mas deixam transparecer um desprezo mútuo. Eu nem mais desejo que as coisas sejam diferentes. Que seja assim como é. Até dei um "feliz aniversário", mas com um claro olhar que dizia "só estou dizendo isso por obrigação".

segunda-feira, setembro 01, 2003

Ela tem as mãos quentes, e as minhas são frias. Ela sente saudade mas não diz, eu sinto e digo. Os olhos dela são castanho-esverdeados, os meus, escuros. Ela é aparentemente fechada e eu ,aparentemente, aberta. Ela domou a situação e eu fiquei à mercê de mim mesma, o que é estranho quando se está acostumado a estar à mercê do outro. Sim, os pedidos furtivos são declaradamente manifestações de saudade, tanto quanto o olhar de desejo e os beijos roubados. Mas nada muda quando ela é rígida e eu sou flexível. E, contiguamente às diferenças naturais, corre um querer que se dilui com as substâncias de cada história. Ela não está livre e eu estou. Ela é morena-escura e eu sou morena-clara. Ela usa plataforma, e eu All Star, ela...