domingo, agosto 02, 2009
O tempo passa para todo mundo
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Les fantasmes du fantôme
domingo, novembro 23, 2008
Velocidade
quarta-feira, outubro 22, 2008
Dos amores platônicos
Eu lembro do meu primeiro amô platônico, o Rolando Júnior. Sim, Rolando Júnior tinha 19 anos (eu tinha 13 e nessa altura já tinha brincado de médico com TODOS os meus primos), parecia o Brad Pitt e era muito gente boa. Claro, apaixonei. Ele fazia ssssshiatro, e gostava de Led Zeppelin, Pink Floyd e adjacências, tendo me emprestado vários discos, fitas e congêneres. Inclusive a música que tocava quando eu o vi pela primeira vez, numa loja de motocicletas, era "Stairway to Heaven", mas na versão Dread Zeppelin, que transformava todos os sons da banda de Robert Plant em reggae.Enfim, a dona da loja de motos, minha amiga, morava no mesmo prédio que ele e prometeu ajudar na minha empreitada amorosa, de modo que um dia fui ao prédio deles, um domingo, pra um almoço de páscoa ou coisa assim. E a gente estava subindo o elevador, quando ela me disse: "olha, eu não quero ser estraga-prazeres, mas ele tem namorada". E eu, de batão vermelho e uma blusa breguérrima (vocês vão vendo, se eu não tenho o costume de usar batão vermelho nem hoje em dia, imagina como eu não fiquei em 1991), fiz uma certa cara de decepção, como se dissesse "contra os desígnios divinos a gente não pode lutar".
Ao entrar no apartamento, conheci a Sílvia, que era mais velha que o Rolando, linda, descolada, fazia sssssshiatro também e era muito gente boa. Daí que fiquei amiga dos dois, uns fofos. Eles casaram, tiveram filho, separaram, são amigos até hoje e faz muitos anos que eu não vejo a ambos.
Daí que depois dos 30 anos, amor platônico é uma coisa que não cabe. Mas acontece, principalmente porque já terá acontecido pelo menos uma vez na vida.
segunda-feira, outubro 06, 2008
Antes de morrer
segunda-feira, junho 23, 2008
Road Movie no fim-de-semana
sábado, dezembro 22, 2007
Feliz Natal
sexta-feira, novembro 23, 2007
Sueli, o fantasma
Sueli era um fantasma. Durante boa parte de sua vida, apesar de viva, só fez assombrar as pessoas à sua volta, presente nas frestas de seus cotidianos, absorvendo suas existências, as filtrando e provocando pequenos assombros furtivos com a distorção daquilo que apreendia.sábado, outubro 27, 2007
Triste fim de Policarpa Joaninha
domingo, julho 22, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007

Mas Rosaura continua gostando do amanhecer e se sentindo melancólica ao crepúsculo.
Antes de conhecer Hipólito, Rosaura fingia que não gostava de u2. Fingia, inclusive, que era uma formiga que não se importava em viver aventuras, aproveitando a eternidade enquanto-durante do amor, ele, que não é imortal. Rosaura era, então, uma criatura dispersa entre tanta informação, oferta-procura, vivente plenamente imersa no transtorno de déficit de atenção que acomete, agora, não só ocidente mas também oriente e causa interferências cruciais nas antenas dos bichinhos.
quarta-feira, maio 30, 2007
- Tudo aquilo que você levou anos pra escrever, outros tantos para achar um editor, mais dois anos para revisar e imprimir, e corrigir a prova e imprimir a primeira tiragem, e encadernar, e distribuir, para finalmente vender e ganhar 10% de direitos autorais sobre a obra...
Eu dei de graça.
quarta-feira, maio 02, 2007
Viena, esquina da Rua Augusta com Alameda Santos. Saladinha qualquer enquanto o papel que recobre a mesa é golpeado, picassamente, com bastões de giz-de-cera nas três cores primárias. Limonada? Sim, verão. Limonada. Com o azul, palomas etéreas da paz; com o vermelho, mulheres flamencamente chorosas; com o amarelo, sóis escaldantes de Andaluzia.São os Jardins: de noite, iria ao Pequi, esquina da mesma Alameda Santos, mas com Peixoto Gomide, achava; ou no Fran's abafado da Haddock Lobo. Ou, sei lá, no Espaço Unibanco da Augusta, em que avistara Marcelo Rubens Paiva no seu meio de transporte, quando fora assistir à Liberdade é Azul, do seu estimado Kieslowski.
Não importava qual o lugar, contanto que nostalgia e saudade fossem aplacadas na vivência pródiga das ruas paulistanas, com todo o movimento a que tivesse direito, com todo o anonimato que lhe permitisse fugir, de si mesma, na entrada do metrô. Consolação.
domingo, abril 22, 2007
Françoise Hardy - Message Personnel - 1973
Sentada no terraço de um café, sua única companhia era o jornal já quase de ontem. A penumbra tomava conta das calçadas onde soavam os passos já tranqüilos do fim da tarde, quando todo mundo largava do trabalho e desafrouxava gravatas e botões.
Ela o esperava não fazia muito. A luz alaranjada do sol, que iluminava seu rosto, dava lugar aos faróis dos carros que faziam curva na rua do café e, vez por outra, ofuscavam seus olhos, que olhavam em direção ao cruzamento, à procura dele.
Será que viria?
quarta-feira, abril 11, 2007

O baratão entra na sala, sambando pelo carpete. A mulézinha sobe no sofá, grita, esperneia, coraçãozinho batendo a mil:
- AAAAAAAAARRRGH! Uma barata! Mata! Mata! Mata!
Mulézinha se enfia no quarto, fecha a porta, coraçãozinho batendo a mil:
- Matou!? Matou!?
Cavaleiro de armadura reluzente diz:
- Matei!
- Matou mesmo!???
- Matei! Me alcança um chumaço de papel higiênico, por favor.
Minutos depois, morta a barata, descartada a carcaça sem vida da barata e dada a descarga, mulézinha, aliviada, diz a Cavaleiro de armadura reluzente:
- Cada vez que tu matas uma baratona dessas, tenho mais certeza de que tu és o amor da minha vida!
- É mesmo? - diz Cavaleiro de armadura reluzente com malícia no olhar.
- Mesmo, juro!
- Então vai chegar o dia em que vou vir pra você e dizer: "Amor, hoje foram DUZENTAS!"
- Hohohohohohohohohohohohohoho...
- Hohohohohohohohohohohohohohoh...
quinta-feira, dezembro 21, 2006

Ah, cette nana va te faire mettre en genoux...
Une vie de danseuse. Danseuse, un meilleur mot que 'ballerine', puisqu'une danseuse peut-être se délivre à plus de choses que tout simplement une petite femme qui suit l'éxactitude d'une choréographie bien définie, avec de tout-petits pas, des pas minuscules qui dissimulent un poids majuscule.
La danseuse s'est permise donc suivre un tourbillon qui a commencé dans le coin le plus timide de son coeur. Elle est partie avec le cirque. Elle mangeait du feu et des couteaux, elle était la contorcioniste, elle s'équilibrait sur un fil et se posait, gracieuse, sur un cheval qui courrait en circle. Mais surtout, elle était la dompteuse qui a subjugué le lion, a enfilé la tête dans sa bouche affamée et, plus farouche que la bête, l'a fait renoncer à sa proie et lui a fait proie lui-même.
Puisque la danseuse, elle, faisait tout le monde danser d'après son rythme.
Uma vida de dançarina. Dançarina, uma palavra melhor que 'bailarina', já que uma dançarina talvez se entregue a outras coisas que simplesmente uma jovenzinha que segue a exatidão de uma coreografia bem definida, com passos pequeninhos, passinhos minúsculos que dissimulam um peso maiúsculo.
A dançarina se permitiu portanto seguir um turbilhão que começou no canto mais tímido de seu coração. Ela partiu com o circo. Ela comia fogo e facas, ela era a contorcionista, ela se equilibrava em cima de um fio e se punha, graciosa, sobre um cavalo que corria em círculos. Mas sobretudo, ela era a domadora que subjugou o leão, enfiou a cabeça em sua boca faminta e, mais selvagem que a fera, o fez renunciar à sua presa e lhe fez presa ele mesmo.
Porque a dançarina fazia todo mundo dançar conforme sua música.
quinta-feira, dezembro 07, 2006

For export production
- Oi!
- ... oi. Só liguei pra dizer que estou com saudades!
- Adoro quando tu me ligas assim, sem mais nem menos.
- É...?
- É. Sabe que eu te amo?
- Também te amo... que coisa, né?
- Hehehe. Sim, coisa boa a gente ter se encontrado.
- ...
- Queria que tu estivesses aqui. Assim poderia te beijar muito.
- Hmmm. Sabe? Gosto de pensar que quero ser tua mulher.
- Tu tens tudo pra ser minha mulher.
- ...
- Só depende de uma coisa.
- Do quê?
- De baixar a produção.
- Ahn!? Baixar a produção? De quê?
- A produção de peixinhos e charutos... zzzzzzzz
(Na manhã seguinte...)
- Eu disse aquilo tudo mesmo que tu estás me contando?
- Disse. Eu não tava entendendo nada!
- Mentira! Tu estás brincando comigo!
- Não tou não. Você tomou aquele remédio de novo?
- Tomei. Ahhh!
- É, pois é!
- Hehehehe. Desculpa!
quinta-feira, novembro 23, 2006
As fascinantes fêmeas do mundo animal
Desde Darwin nas ilhas Galápagos, a ciência não se deparava com espécies tão raras e peculiares, algumas delas mesmo no universo doméstico e no meio urbano!
São elas:
- A cachórinha afoita de Garibaldi: foi vista pela primeira vez perto de uma fábrica de espumantes; a princípio, não é muito dócil: manifesta-se por rosnados e várias tentativas de mordida. Depois de uns nacos de pão caseiro e um pouco de ousadia ao acariciar sua pelagem curta, fica facilmente domesticável. Desde que cativada, gosta de dormir aos pés de membros de famílias próximas.

- A rrrranga-tanga do Congo: espécie raríssima, ocorre em selvas cujo equilíbrio ecológico foi afetado pela ação da bactéria Alfajoris rivera. Nas matas em que está presente, a rrranga-tanga avermelhada do Congo grunhe com alegria e toma leite com achocolatado na mamadeira.

Porém, a mais curiosa espécie catalogada, intrigando os mais conceituados zoólogos, vem de Portugal: é a ratazana pescadora do Tejo, citada não sem perplexidade pelo grande escritor lusitano José Cardoso Pires, que as descreve em bandos, sentadas em fileiras à beira do rio, com os rabos quietamente enfiados na água. Se em um primeiro exame, a visão parece anódina ao observador, no minuto seguinte a cena ganha o real aspecto da vida selvagem, quando a cauda de uma delas é fisgada pela pinça de um caranguejo, e este é trazido à tona, para ser devorado prontamente pela ratazana, precedida, às vezes, por uma dita risadinha diabólica.
quarta-feira, novembro 08, 2006
Catamaran Rigmarole*
Apaziguada sua sede de sangue e riquezas, chegou Paquito, o papagaio, num vôo rasante, e quase gravou suas garras no ombro queimado de sol do pirata. Emputecido depois de um "ai" ardente, o feliz proprietário da embarcação arregalou olhos ao ouvir da ave de penas verdejantes a localização de seu próximo desafio: "Catamaran Rigmarole". O dente de ouro do pirata brilhou tanto quanto seus olhos castanhos.
* assunto de spam remetido por Isaac Clarke. Spam também pode ser inspirador.
domingo, outubro 22, 2006
O forró tocava e as pessoas estavam animadas. Mais de vinte ou quase trinta, a maioria era membro de uma mesma família liderada por uma velha matriarca pernambucana, que em verdade parecia uma tartaruga esgruvinhada, vestindo uma saia de crente que lhe vinha até os peitos, os cabelos longos presos num rabo de cavalo que lhe chegava até à bunda.Uma de suas filhas vivia em uma mansão num bairro nobre, mulher-escrava de um tenente da reserva, dono de uma rede de casas lotéricas. Na mansão, entre os sofás de couro e os móveis de madeira de lei, passeava uma cabra e algumas galinhas. A vivenda da matriarca, porém, era em um casebre de madeira cheio de frestas misteriosas por onde escapava o som da música alegre.
Deslocada, ali estava uma menina de seis anos que, de olhos bem arregalados, absorvia em uma só onda o forró, a mistura do cheiro do churrasco, dos homens de cheiro forte, das mulheres de perfume barato, das crianças com rosto sujo de chocolate e groselha e a luz de lâmpada amarela, fraca e estranha. Ela deteve seu olhar na fonte da música: uma eletrola antiga, dos anos 50. Um móvel compacto, com um tampo que guardava o prato da vitrola. Ao abrir o tampo, à altura de sua cabeça, ela viu o inesperado: em cima do disco de vinil, girando em 33 rpm, havia um enorme besouro de casca vermelha, que parecia um anel de rubi a seguir o ritmo do forró.
