terça-feira, maio 30, 2006

"Desire of an ID" Dreamlog

Fiquei com uma agonia de Gusmão* quase até uma hora depois do sonho. Minha classificação sobre 'sonho e pesadelo' tem sempre mais a ver com a sensação experimentada do que com o conteúdo propriamente dito. Já sonhei com vísceras em exposição, com tentativas de assassinato e até tsunamis com uma reação totalmente calma. Mas dessa vez, uma viagem a Paris marcada para um domingo esbarrava, em plena sexta-feira à tarde, com a pura e simples inexistência de um passaporte válido. Sei lá porque só fui me lembrar disso na hora. E então, desesperada com a possibilidade de ter de cancelar a viagem, danava a correr pela rua tentando buscar uma solução para o meu problema. Interrompe a minha corrida um engenheiro, que faceiramente saca de um flip chart para explicar a matéria que dava aos seus alunos: alguma coisa de cálculo estrutural. A interrupção, em lugar de me exasperar, me causava grande curiosidade: o que será que o engenheiro queria me dizer? Finalmente, eu chegava ofegante ao sofá onde minha mãe repousava e, completamente derrotada, pedia-lhe encarecidamente que me ajudasse a remarcar a passagem para a semana seguinte, quando provavelmente eu já teria dado um jeito no passaporte.




Na análise:
- O que um engenheiro faz?
- Bem... projeta e coloca de pé a estrutura de uma casa.
- E o que uma mãe faz?
- Bota tudo abaixo!!!

[A bem da verdade, a interpretação foi que eu pedia ajuda à minha mãe para conseguir validar o que me faria conseguir partir para realização dos meus sonhos - Paris: identidade. Passaporte]

* Segundo o Pequeno Glossário Araújo de expressões infames, aflição generalizada, impaciência, inquietude.

segunda-feira, maio 29, 2006

Duas (dentre milhares) concepções sobre o amô:

- Pijamas e Jeannie é um Gênio no canal Nicklodeon; um copo d'água que chega em suas mãos para não sentirmos sede durante a noite.

domingo, maio 28, 2006

16.58
Um passo em falso, a queda. Inesperado, o sangue irrompe e mancha a pauta, o plástico, os cabelos louros e macios, pingando linha a linha do pentagrama e suspendendo os sentimentos mais exaltados do grupo em uma fermata que felizmente só durou até há pouco: está tudo bem e, com bandagens na cabeça, a senhora descansa e está em observação. Ela vive solita em seu apartamento no Bom Fim e gentilmente passeia diariamente pelas ruas. Ela fica em observação e a esperamos nos próximos ensaios. Não a queremos longe, a dama da doçura e da virtude. A queda nos deixou em alerta, a mesma prontidão do apoio no abdome que dá impulso ao som que enche a sala. Cantamos por ela.


P.S.: Do you know where is Wally? So deep in my heart.

sábado, maio 27, 2006

Par de ça, ne de là, la mer...



O sábado me diz: durma. A vida me diz pra liberar os espaços, arejar os cantos escuros e cantar.

E, coincidentemente, no presente momento, estou ouvindo no rádio o anúncio do concerto em que vamos, eu e meus colegas, cantar.
E para quem quiser, aí está: Santander Cultural, domingo, às 17h, entrada gratuita.

Vou matar a saudade do meu amigo.

sexta-feira, maio 26, 2006

7.48 am

Hoje acordei numa faceirice atípica às minhas manhãs sonolentas. Cheia de um negócio que não sabia dizer se era esperança, amor, otimismo ou sei lá o quê. Em dias de sol, a rotina que me faz passar sempre no cruzamento perigoso entre a Ipiranga e a Vicente coloca a linha reta de um avião de carreira no céu, turbinas no silencioso, singrando o azul com fumaça esbranquiçada que perdura por muitos minutos antes de se diluir na atmosfera rarefeita de 10 mil pés de altura e talvez justamente por isso dificulte a dispersão imediata da fumaça. Será?

segunda-feira, maio 22, 2006

Conta-gotas

- Cantar no frio e com vinho pode ser bom para a garganta, ao contrário do que se imagina. ;-)

- Gramado: sete graus ao meio-dia, fogareiro aquecendo a sala, pinga, amigos, teatrinhos bobos e divertidos. Acalanto da amizade e da cantoria.

- Pouco tempo para o amor, mas todo o amor do mundo nos minutinhos do relógio.

- Parafraseando o anúncio do CitiBank: trabalho, trabalho, trabalho, mas as vírgulas NÃO são pausas.

- Homenagem ao gato mais lindo do mundo: aqui.
Canseira Inc.

É aqui que eu trabalho. Mas, ufa, ainda bem.

domingo, maio 14, 2006

Fiat lux

Acabo achando que muito do que me faltou na vida não foi nem dinheiro, nem sorte, nem talento: foi lucidez. Por falta dela, erros foram cometidos, caminhos enganosos foram tomados e ela, a lucidez, aparecia apenas nas horas cruciais, para me alumiar (como se fosse com um daqueles capacetes com lanterna que os mineiros usam) o caminho tortuoso, enquanto a caverna não revelasse a luz do próprio dia. Mas, como um facho de luz repentino no meio do escuro nos ofusca e surpreende, preferi quase sempre me deixar tomar pelo medo e me recolher à minha cega ignorância.
Um dos esforços da minha vida é não me assustar com a luz-cidez e esperar o olho acostumar aos poucos à claridade que ainda assim é difusa, e usar a lanterna pra enxergar os buracos, as armadilhas... não me esquecer de não me deixar enganar com as sombras bruxuleantes... alcançar a luz do dia.
Simplicidade.
A simplicidade do amor, a simplicidade da meta bem definida e do esforço sem medo. A simplicidade de não buscar subterfúgios para evitar as verdades.
Fête des mères dreamlog

Me leva

La rousse e eu viajávamos pra algum lugar, uma sensação de se mudar, de deixar, uma sensação meio desconfortável, admito. Um dia nublado, um hotel de gente em trânsito, aquele cansaço meio provisório de desfazer a mala só um pouquinho, tomar um banho, descansar um pouco e seguir viagem. E, na sacola de viagem entreaberta, vejo um movimento. De repente, uma cauda tigrada e o miado inconfundível, e aí só me ocorreu dizer:

- Amor, o Mercúcio veio...

(E feliz dias das mães - felinas e humanas - pra vocês também).

sexta-feira, maio 12, 2006

Caminar, caminar

Eu às vezes percebo que o momento maior pode ser estar somente enrodilhado num canto e se dar conta que a simplicidade é o cume da montanha, que é a melhor coisa que se pode finalmente alcançar. Ou simplesmente assumir, sei lá.

Daí eu ganhei uma garrafa de Absolut Vanilla.

quinta-feira, maio 11, 2006

And isn't it ironic?

Dez de maio, seis e meia da manhã, aboletada no computador em pré-trabalho, ao som do noticiário Bom Dia Rio Grande. O apresentador falava sobre um novo item na fatura de energia elétrica: uma cobrança de R$ 2,80 para o serviço público de eletricidade. "A quantia já está sendo cobrada em mais de 300 cidades gaúchas..."
E aí a luz acabou.

segunda-feira, maio 08, 2006

Happy Birthday



Psicanálise: única coisa que te cura abrindo tuas feridas em vez de fechá-las.

terça-feira, maio 02, 2006

Sweet drops

- Sábado, em casa, lembrou um pouco o clima do clipe bonitinho. Que bem são os amigos.

- Domingo, em casa, o lado bom da preguiça. Sorriso no rosto, sono na cara e carinhos em Mercúcio José.

- Teria certamente sobrado uma rolha de Codorniú. Plop! Alegria azul brilhante. Caleidoscópio aquático. A visão mais elegante do feriado.
Loser drops

-O frio parece que finalmente chegou à província de São Pedro.

- Oito centavos de dólar, por enquanto, é a promessa de que o caminho rumo à tranqüilidade me demandará a qualidade taurina que mais me falta: paciência, mas muita paciência.

- A preguiça, por mais que possa parecer simpática quando se pensa em uma rede pendurada nas árvores, é o pecado capital mais burro (da parte de quem o comete) que pode existir.

- Sorte eu tive e acho que forças também. Só que preciso de mais força, talvez mais coragem, talvez mais sorte, certamente mais fibra: ninguém avisou que seria fácil viver uma vida digna.