sexta-feira, março 31, 2006

Mantra

Senhor de milhares de mundos, sou eu

E reino desde que o tempo nasceu.

As noites e os dias, nas cíclicas vias, se vão

Mas eu vejo o que o tempo teceu.

Por todo o futuro, viverei segura

Porque a alma não morre

E alma

Sou eu.

É de cortar os pulsos com bolacha Maria!

terça-feira, março 28, 2006

Dieu, qu'il la fait bon regarder

Aqui ecoam as notas impressionistas, o mar cheirando a sal fresco e abrindo as narinas... "como é bom olhá-la", disse o meu amigo Debussy e eu concordo, cheia de saudade.
Nunca vou esquecer do momento mágico, aquele dos pés fora do chinelinho. Aquele dos pés em cima dos meus enquanto o chá fumegava no domingo chuvoso, lá fora na rua.
Com tudo isso, amigo querido, fica mais fácil toda a vida. Fica mais azul, fica mais prismada e todas as tonturas, todas as febres parece que são só de amor.
Com tudo isso, o mar revolto parece marola tranqüila, barulho de água fresca roçando no casco do barco.

segunda-feira, março 27, 2006

Preciso de um herói



Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

domingo, março 26, 2006

A vida é confusão e às vezes, é também a suspensão do tempo imensurável antes que algo aconteça, quando o algo está para acontecer. E essa ansiedade estranha e quase crônica me toma de assalto, ao lembrar da frase: "é incrível a força que as coisas têm quando elas precisam acontecer".

Ainda bem que como uma luminária de cabeceira, tenho perto de mim esses olhos de quem acabou de sair da água.

Ainda bem a melissa, o manjericão, a cidreira, o cidró, as romãs e o pudim de aipim.

Ainda bem os filhos dos outros, as raquetes de squash e os 14º C da noite estrelada, entre lembranças de jogos de cartas.

Ainda bem o corpo que vibra um pouco misturado com o sono e flutuando como na película da água.

sexta-feira, março 24, 2006

Retrospectiva do dia

Que saudade de sentir o calor da rua na própria rua. Antes disso, porém, parir e vender a suposta salvação da internet discada, que eu, faz um ano, não uso mais. Antes disso, porém, o que a gente não faz por amor (à vida e à sua qualidade)? Buscopan com soro durante uma hora na veia difícil de encontrar. Vômito de dor e ansiedade no cesto de lixo. E o seu Jair, que fez pipi na cama, quase morto de hipotermia depois de tentar se matar num riachinho da periferia. Coberto de barba, a sujeira sob as unhas, tiritando sob o cobertor sapeca-neguinho do HPS, cascas de sangue seco nos cotovelos, o olhar mortiço e desesperado do soropositivo polêmico do anúncio da Benetton. Antes disso tudo, porém, a linha de sol despontando na aurora, o azul, o arroxeado, o escuro e, dentro do sonho, o escorpião perto da inimiga antiga e meu impulso em salvá-la, não como ao peixe, mas por vê-la em mim, ou vice-versa. Então eu espantei o escorpião mas ele veio andar no meu braço. Ele caiu do braço cabeludo do medo, ao chão, cauda se armando para o bote e eu o golpeei com um jato de Baygon Max (gentil patrocinador do Dreamlog). Então o escorpião perdeu as patas, as pinças, descolou a casca e soltou o seu veneno em uma massa nojenta que lembrava cêra de ouvido.

quinta-feira, março 23, 2006

Repetition Dreamlog
Em que, em suposto feriado na casa da minha mãe, na hora de voltar, eu deixei pra arrumar a mala na última hora e, quase no aeroporto, lembrei: "putz! esqueci o gravador!" (é um gravador da panasonic que eu usava bastante na faculdade). Voltava pra casa da mãe, enfiava a pasta de trabalho que eu também esquecera e voltava ao aeroporto. Quase lá: "putz! esqueci o gravador!" E voltava, e colocava na mochila o relógio e o perfume de outrem. Voltava ao aeroporto e: "putz! esqueci o gravador!". E assim sucessivamente.

Blue Sea Dreamlog
Esse foi essa noite. Beijava a boca do sul-africano charmoso, mas para o meu desconforto (não parecia ser o dele), nossas bocas estavam recheadas de sal grosso e nosso beijo tinha esse tempero meio forte demais. Num passeio por Porto Alegre, o dia era de muito sol e ela via, com olhos interessados de turista, muitas pessoas que navegavam faceiras bem no arroio Dilúvio, nessa ocasião limpo e cristalino. E pois, no encontro do Dilúvio com o lago Guaíba, havia uma abertura grande em uma rocha, de onde era possível enxergar um mar azul-escândalo, até com alguns peixinhos coloridos. Nesse mesmo sonho, o encontro com o sul-africano tinha me deixado tão feliz, que fui conversar com ele pelo msn depois que ele foi embora e perdi uma entrevista de trabalho, e isso me fez chorar desesperada e até os olhos incharem.
Acordei agora. Não chorei, mas era realmente como se fosse.

terça-feira, março 21, 2006

Parece dreamlog, mas não é. Domingo, à beira do mar de Bellatorres, já em SC mas que ainda lembra muito o RS, o mar de repente cuspiu um linguado na minha frente. A reação magnífica foi de ver o peixe começar a agonizar, mas num repente, segurá-lo viscoso entre as mãos e com a ajuda da ruiva, ir correndo atirá-lo de volta ao mar e vê-lo respirar e nadar. Desesperadamente. Um salvamento de uma equipe de salva-vidas. Cada vez duvido menos de que aquele peixe era simplesmente eu mesma.
Junto com a perseguição a siris, o salvamento de peixes foi o esporte do fim de semana. Ah sim. E comer "pon".
Sweet, sweet.

sexta-feira, março 17, 2006

Se o frio é de renguear cusco, o calor é de quê?
A praia me espera. May God bless friday.

terça-feira, março 14, 2006

É até covardia falar de desamparo quando se tem uma mão macia que nunca nega um cafuné e um olhar que me derrama lampejos esverdeados de carinho, e ouve meus dramas e me dirige palavras de encorajamento.
Mas existe entranhado um desamparo que se mistura ao cansaço, ao medo, à ansiedade, à exagerada perspectiva da fome e me derruba, e me deixa sem ação, as pálpebras inchadas, avermelhadas e uma revolta da qual não consigo me livrar, como uma corrente que eu arrastasse.

terça-feira, março 07, 2006

Animal Planet Dreamlog: ao som dos miados e arranhões na porta (um oferecimento de Mercúcio José, o histérico), sonhei com um mico bem diminuto que pulava para lá e para cá. Sonhei também que com meu poderoso Baygon Max (também nosso gentil patrocinador), eu matava baratas a granel. A última barata, porém, ao receber o jato de inseticida, antes de morrer, abriu a boca e gritou: "aaaaaaaargh".

E o que é assédio moral no trabalho?

"É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego."

Preciso dizer mais alguma coisa?

segunda-feira, março 06, 2006

Dispersa

Alfajor, uma família, uns olhares azuis outros verdes, um receio, e muito mais alegrias que receios. Montevidéu em Corpus Christi, sono que se escoou na cocolagem. Cocolare. Amor e malabarismos.
Mas, mudando de assunto, preciso de sorte, preciso das boas vibrações dos meus amigos. Das figuinhas, dos pés de coelho e sobretudo do bem querer. Pensem bastante nisso às seis e meia. Macumba siciliana.

sexta-feira, março 03, 2006

Ques coisa esquisita!

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este 'regulamento' no seu blogue."

Ganhei da Belly. Here we go.

1- Sou nômade: Porto Alegre é a quinta cidade em que eu moro e apesar da intenção de aqui fincar a bandeira, ninguém sabe o dia de amanhã.

2-Fico tentando entender tudo: qual o motivo de eu ser nômade? O que ele(a) quis dizer com isso? O que esconde o verde olhar da ruiva? O que o futuro me reserva?

3- Didatismo: intimamente ligado a querer tudo entender. Se eu acho que entendo alguma coisa, saio disseminando pelo mundo a explicação do que eu sentia. Da psiquê dos gatos à gramática francesa.

4- Ouvir rádio de ondas-curtas: hábito largado faz uns anos, mas adorava encontrar uma língua estranha transmitindo notícias e música entre os chiados e estalidos de um rádio antigo. Segundo à minha mania de tentar entender, isso pode ter sido a raiz do meu estranho nomadismo.

5- Cultivar melancolia: nas bucólicas árvores da minha infância, na tristonha prosa de Fernando Pessoa, nas canções do Radiohead, nas nuvens cinzas do céu... burp. Porque no fundo devo achar que é isso que me fará escrever melhor.

Prenda enviada para:
a querida Libertad, com blog mas sem link.
a doce vizinha Ana e seu(s) blogs mutantes.
a esfusiante morena Ane Aguirre atingida pela brisa do mar.
a multifacetada Lili e seu Rivotril.
o freak-santista Ronzi.
30 miu-ê! 30 miu-ê!

Oh... não tinha visto que faz pouco que meu singelo e humilde bloguinho chegou à marca de 30 mil visitas.
Obrigada a todos que visitam o blog diariamente (ou no ritmo dos posts) e aos novos visitantes as boas vindas. Espero que gostem das manifestações esporadicamente herméticas e os dreamlogs que há quase três anos povoam esse espaço virtual.