quarta-feira, abril 20, 2005

Aqui neste prédio onde estou morando provisoriamente, tem uma gata suicida. Pois é... pelo menos umas dez vezes por dia eu ouço aquele baque no telhadinho da lavanderia, que é feito de algum material translúcido, e vejo aqueles arremedos de patinhas pisando e cambaleando.
Outro gato dos meus dias - fins de semana, na verdade - é preto, peludo (diz-se, de uma mistura de angorá com coisa nenhuma), tem olhos amarelos e conversa comigo, especialmente quando no dia anterior ele comeu ração de lata e no dia seguinte está numa fissura danada: nhe-nhéu, nhe-nhe-nhéu, prrrnhe-nhé-nhéu... e sobe na cadeira e dorme na mantinha de lã posta no parapeito da janela (térrea, que não queremos novas tentativas) especialmente para ele, depois do pedacinho diário de presunto.
E eu estou meio extenuada de ficar ao computador quase o dia inteiro, ou mais que o dia inteiro e é por isso que tenho postado pouco. Esse teclado é duro demais, já se fazem sinais de dor nas minhas mãos, e eu nem tive um pensamento sequer sobre o resultado da fumacinha branca, não menos nefasto que o anterior, que esse aí pelo menos não tem a cara fofinha do anterior (fofinha antes de parecer feita de plástico retorcido).
Eu nem sei o que pensar da vida de agora, ainda. Estou mais perdida que cusco em tiroteio, pelo menos até a hora em que tudo se assentar. Curitiba tinha sido mais tranqüila, pelo menos olhando daqui dessa perspectiva.
Ai que sono.

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