segunda-feira, novembro 03, 2008

Livros & Cia.

Começou a Feira do Livro e, claro, a jaca literária é o fruto em que eu mais gosto de enfiar o pé. Resultado: primeiro dia de feira, dois títulos adquiridos à beira de uma viagem internacional com euro e dólar a preços nada módicos. Foda-se. O primeiro, o Sidarta do Herman Hesse, um livro fininho. Vamos ver..."Água Viva" de Clarice Lispector também é um livro fininho e me provocou um avesso pessoal e visceral, como à medida em que se lesse, a pele fosse caminhando para dentro e, ao cabo do livro, eu fosse pela rua com pâncreas, pulmão, intestinos pendurados, tudo balangando numa existência de dentro para fora. Mas devaneio.
O outro foi "O homem casado", do Edmund White, do qual já li umas páginas. White é ótimo, porque entende tudo de Paris (dele também, "O Flâneur" e uma ótima biografia de Marcel Proust) e é gay.
Não bastasse a lambança literária da Feira do Livro, sábado foi dia de pegar minha correspondência na posta restante (porque eu sou uma pessoa antiga que retira suas CARTAS na posta restante) e, de presente (thanks, G.!), estavam lá o livrinho "Dykes to watch out for", das tirinhas de jornal da americana Alison Blechdel, uma espécie de precursora de The L Word. As sapas americanas que ela retrata parecem bem politizadas, coisa que eu acho que não acontece aqui, nem entre gays, nem entre héteros. E, finalmente, "The Price of Salt", da Patricia Highsmith, o livro "roadmoviesco" não tão marginal quanto On The Road, não tão desconcertante como Lolita, mas que não lhes deve nada no charme anos 50 e nos personagens cativantes. Na versão em português, "Carol", pela L&PM.

4 comentários:

Vica disse...

Eu comprei só o Papel Manteiga na feira, mais por cortesia e porque uma das personagens tem meu nome do que por outra coisa... e estou aguardando ansiosa meus 3 títulos que comprei com 50% na Cosac Naify dia 28/10, que foi dia de loucura literária online. Na Feira, só se eu achar o I-Ching. Senão, não vou, não vou...

Lilly disse...

Sabe... queria te agradecer. Eu tinha um certo bloqueio com Clarice Lispector. Falei sobre isso no meu blog. Mas graças a vc e ao blog Cafeína, resolvi trabalhar este bloqueio. Estou lendo "Água Viva". Tenho que parar em certos momentos pois algumas coisas me atingem em cheio. Tudo a ver com o meu momento.
Obrigada! ;)

Lívia Araújo disse...

Oi Lilly! Poxa, eu que agradeço pela referência! Olha, se te consola, deve ter um monte de livros dos quais não ouso chegar perto. Ulysses, quase obviamente, é um deles. Nunca li nadinha do Joyce, nada, nada. E de Proust li "O caminho de Swann" e não fui mais longe. :-)
A vida é assim.

gabimateus disse...

Nesses tempos de recessao por aqui, a coisa tambem anda dificil. Eu so ando comprando livro de encadernacao barata e so se for na amazom.com onde nao pago frete. Preco de sebo por aqui e o mesmo que nas livrarias e feira de livro... o que e isso?

Gostou da surpresinha? Agora me lembro que tinha meu nome escrito, e porque nao quis esperar ate que o outro chegasse.

Terminei o livro, depois de ler o comentario da autora no final, entendo o que vc disse sobre a importancia do livro na epoca em que foi escrito. Obrigada pela dica.
Um beijo.